Cerca de 75% das doenças raras têm início na infância1, muitas vezes, já no primeiro mês de vida. Como são raras, o diagnóstico final pode ser tardio ou mesmo não ocorrer, pois algumas destas doenças apresentam manifestações graves que podem simular infecção generalizada (sepse neonatal) ou que podem levar ao óbito, deixando a família sem uma direção frente ao planejamento familiar futuro.
Por apresentarem sinais e sintomas inespecíficos e/ou comuns a condições que são mais frequentes1, pode ocorrer uma longa trajetória até o diagnóstico final. Nesse intervalo, a doença progride e causa sequelas irreversíveis com repercussão no desenvolvimento neuropsicomotor e pondero-estatural, além de provocar algumas disfunções em órgãos e sistemas, limitando o potencial do indivíduo e repercutindo na família.
O Teste de Triagem Neonatal (Teste do Pezinho) é uma primeira e única oportunidade para suspeição e consequente investigação diagnóstica de muitas condições e doenças raras. Contribui tanto para o diagnóstico e possibilidade real de futuro tratamento quanto para a adoção de medidas preventivas.
Um panorama histórico da triagem neonatal
A triagem neonatal teve início com a Fenilcetonúria, quando, mediante experimentos, observou-se a possibilidade de identificá-la em sangue embebido no papel seco (papel filtro)2. Posteriormente, incluiu-se a investigação do Hipotireoidismo Congênito.
Na década de 1990, foi introduzida a espectrometria de massas em nível privado, que possibilitou a detecção de mais 40 doenças de caráter metabólico.
Em 2001, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN)3 que estabeleceu o teste básico de rastreio para investigar sete doenças: Fenilcetonúria, Hipotireoidismo congênito, Doença falciforme e outras hemoglobinopatias, Fibrose Cística, Hiperplasia Adrenal congênita, Deficiência de Biotinidase e Toxoplasmose congênita).
Em 2021, foi instituída a Lei Nº 14.154 para ampliação do teste do pezinho no Sistema Único de Saúde (SUS)4, com implementação em cinco anos e constando de cinco etapas. O Laboratório DLE, com experiência de 40 anos na realização da triagem neonatal, foi pioneiro na introdução de tecnologias modernas como a espectrometria de massas e o sequenciamento de nova geração, aumentando a possibilidade de detecção para além de 400 doenças.
Triagem neonatal e doenças raras: por que ampliar faz diferença
Fazem parte da triagem neonatal biológica (Teste do Pezinho) as doenças cuja evolução natural é conhecida, apresentem um período sem sinais ou sintomas e sejam passíveis de tratamento, entre outros critérios5. Muitas doenças raras preenchem os referidos critérios e fazem parte da triagem neonatal. Recentemente, com a ampliação do escopo das doenças contempladas, adquiriram a oportunidade de tratamento precoce, que favoreceu melhor prognóstico e orientação familiar.
Não há dúvida de que a ampliação do número de condições rastreadas seja benéfica. Não se trata somente do quantitativo, mas sim da oferta de melhores condições de vida a uma série de crianças em função da possibilidade de tratamento adequado e melhor prognóstico.
Algumas das doenças triadas no período neonatal apresentam evolução grave que pode não ocorrer imediatamente após o nascimento, ou seja, há um período em que não há sinais ou sintomas, mas a evolução da doença continua e, muitas vezes, se manifesta agudamente, podendo levar ao óbito. A importância da detecção dessas doenças antes mesmo de apresentarem o quadro clínico é o planejamento adequado do tratamento e acompanhamento, evitando sequelas.
A Triagem Neonatal é um programa de prevenção da saúde pública infantil muito bem-sucedido. É a possibilidade de uma vida com mais saúde para os que apresentam doenças que fazem parte do escopo da triagem neonatal. Além disso, é uma forma de integração com a prática clínica, pois fornece ferramentas necessárias à continuidade da investigação diagnóstica e ao tratamento precoce. Os Serviços de Referência de Triagem Neonatal3 estão presentes em todo território brasileiro e auxiliam na avaliação, tratamento e acompanhamento dos recém-nascidos triados no SUS.
Teste do Pezinho Nova Era: integração bioquímica e genética na prática6
O Teste do Pezinho Nova Era surgiu do advento da era genômica, que impulsionou vários setores da medicina. A literatura científica apontava para melhorias na triagem molecular e, posteriormente, associada à bioquímica7,8. O Laboratório DLE, após estudos e reuniões, criou o referido teste que uniu a tecnologia de espectrometria de massas com o sequenciamento de nova geração, oferecendo a tradicional sensibilidade da triagem neonatal e especificidade para as doenças a serem triadas. A abrangência foi de aproximadamente 400 doenças genéticas raras tratáveis investigadas precocemente. O Teste do Pezinho Nova Era é uma oportunidade ampliada de investigação precoce de doenças genéticas tratáveis.
O Teste do Pezinho Nova Era trabalha com tecnologia bioquímica de ponta, a espectrometria de massas em tandem, em que uma série de analitos são avaliados e identificam condições e doenças metabólicas.
Dentre as análises genômicas, além do Sequenciamento de Nova Geração (NGS), foi associada a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) para doenças específicas como a Atrofia Muscular Espinhal (AME), cujo mecanismo envolve deleção de maior tamanho que o NGS possa identificar.
A experiência do Laboratório DLE comprovou o que a literatura científica postulou. A complementaridade entre bioquímica e genética na triagem neonatal a torna mais robusta, mantendo a sensibilidade e aumentando a especificidade na identificação de doenças raras.
As vantagens da abordagem integrada das avaliações bioquímica e genética são diversas, como:
a) interpretação conjunta e especializada dos resultados em um único laudo objetivo;
b) redução dos falsos positivos que são esclarecidos pela complementação molecular;
c) diminuição da ansiedade materna e paterna no aguardo da continuidade do teste;
d) necessidade de apenas uma coleta de sangue em papel filtro;
e) celeridade no refinamento das hipóteses;
f) resultados rápidos em até 10 dias úteis, com liberação dos resultados parciais dos exames bioquímicos em situações de resultados críticos e g) possibilidade de condutas adequadas mais precocemente a partir dos resultados obtidos9.
Da triagem à investigação clínica: como o Teste do Pezinho Nova Era orienta decisões médicas6
A triagem neonatal, obrigatória em todo território nacional, é direito de todo recém-nascido e representa um ponto inicial na jornada da saúde. Não pode ser entendida como diagnóstico, pois passos à frente devem ser tomados para que seja obtido o diagnóstico final.
Após um resultado suspeito, é solicitada nova amostra para confirmação ou não do resultado anterior. Quando confirmado o resultado suspeito, há necessidade de uma investigação com exames diferentes (exames confirmatórios) para que se possa chegar ao diagnóstico.
A equipe técnica do DLE prima pelas boas práticas e qualidade dos exames realizados. Os resultados suspeitos são sempre reavaliados antes da liberação e, no teste de triagem neonatal, não é diferente. Portanto, resultados com interpretação adequada e direcionamento para a complementaridade da investigação agilizam a jornada diagnóstica, integrando o laboratório à prática médica.
A Assessoria médico-científica do Laboratório DLE, eximindo dúvidas e orientando os profissionais da área da saúde, cria e facilita a integração com os profissionais que passarão a cuidar dos recém-nascidos e orientar as famílias, como os neonatologistas, pediatras, geneticistas e diversas outras especialidades.
A oportunidade da tomada de decisão clínica precocemente faz toda diferença na trajetória da criança e sua família. Sequelas que podem ser evitadas, idas ao setor de emergência por agudizações clínicas e longas internações são exemplos do que pode ser evitado pelo início oportuno e precoce de um tratamento adequado, conseguido pela eficiência do programa de triagem neonatal que teve o início com o teste de triagem neonatal.
Diagnóstico precoce, prognóstico e o papel do DLE na triagem neonatal ampliada
O diagnóstico precoce, principalmente das doenças raras, significa uma grande vitória ao longo dos anos e o teste de triagem neonatal tem contribuído bastante para o desfecho positivo: melhor prognóstico, possibilidade de desenvolvimento neuropsicomotor dentro da normalidade, ganho pondero-estatural satisfatório e mais condições para uma vida saudável.
O início antecipado do tratamento específico é totalmente benéfico, pois pode evitar a progressão da doença e ainda ganha o cunho de prevenção dos agravos. Para o acompanhamento longitudinal das crianças diagnosticadas pode ser estabelecida uma linha de cuidado que aumenta o ganho de saúde de modo integral.
Em se tratando de doenças raras, é essencial contar com laboratórios que tenham experiência acumulada no assunto na busca de exames mais robustos e adequados para a investigação diagnóstica.
Neste contexto, o Laboratório DLE é referência nacional em triagem neonatal ampliada e investigação de doenças raras, com 40 anos de experiência, oferecendo desde a triagem neonatal ampliada a diversos exames confirmatórios, além do suporte médico-científico da equipe, que permanece pronta para esclarecer dúvidas que surgem mediante um resultado alterado e sugerir como prosseguir uma investigação.
A triagem neonatal ampliada realizada em laboratório experiente é ferramenta essencial na transformação da jornada do indivíduo com doença rara e de sua família, contribuindo para modificar a história natural das doenças raras, progressivas, multissistêmicas e de origem genética.
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Referências
1. A Jornada Diagnóstica das Doenças Raras: O Papel Crucial do Teste do Pezinho. Disponível em https://www.dle.com.br/a-jornada-diagnostica-das-doencas-raras-o-papel-crucial-do-teste-do-pezinho/
2. A triagem neonatal no Brasil. Disponível em https://www.sbteim.org.br/conteudo.aspx?id=12
3. Triagem Neonatal Programa Nacional. Disponível em https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/triagem-neonatal
4. LEI Nº 14.154, DE 26 DE MAIO DE 2021. Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14154.htm
5. Andermann A, et al. 2008. Doi: 10.2471/BLT.07.050112
6. Nova Era – Triagem Neonatal Genética e Bioquímica. Disponível em https://www.dle.com.br/areas-de-atuacao/triagem-neonatal-teste-do-pezinho/nova-era/
7. Adhikari A, et al. 2020. doi: 10.1038/s41591-020-0966-5
8. Wag X, et al. 2022. doi: 10.1016/j.cca.2022.01.015
9. Triagem Neonatal Nova Era. O FUTURO do teste do pezinho HOJE. Laboratório DLE.
