A taxa de detecção (TD) corresponde ao percentual de fetos afetados que são identificados positivamente pelo teste, isto
é apresentam risco acima do nível de corte (limite arbitrado entre baixo e alto risco) para determinada anomalia.
A avaliação do desempenho dos diversos testes atualmente disponíveis não é feita somente pela
TD, mas também pela taxa de
falso-positivos (TFP), isto é, a proporção de gestações não-afetadas com resultados positivos. Um teste é considerado
melhor quando apresenta uma maior TD e uma menor TFP.
As comparações entre os diversos testes não pode ser feita utilizando um único parâmetro como a TD ou a
TFP, já que se
pode aumentar a TD, diminuindo o nível de corte e aumentando, conseqüentemente a
TFP. Uma forma de contornar esta
dificuldade é apresentar a TD para uma TFP de 5% (TD5). Alternativamente, quando os testes diagnósticos apresentam um
risco intrínseco, como é o caso da biópsia de vilo corial e da amniocentese (risco de perda fetal), e, portanto é
desejada uma TFP baixa, pode-se comparar a TFP para uma TD constante. Assim, a TFP85 e TFP90 representam as
TFP's para TD de 85 e 90%, respectivamente.
Os valores apresentados são aqueles divulgados pelos ensaios clínicos SURUSS1, FASTER2 e BUN , e pela metanálise de
Nicolaides et al.(2005). Para a variante do Teste Integrado realizado pelo
DLE, utilizamos os resultados apresentados
por Wald, Watt e Hackshaw (1999).
| Teste/Ensaio Clínico |
Marcadores
Bioquímicos |
Taxa de detecção de Síndorme de Down
Fetal para 5% de Falso-Positivos-TDS(%) |
Taxa de Falso-Positivos para uma
Taxa de Detecção de Síndrome de Down Fetal de 85% - TFP85(%) |
| 1°
Trimestre/SURUS (2003) |
TN,ß-HCG
livre, PAPP-A |
83 |
6 |
| 1°
Trimestre/FASTER (2005) |
TN,ß-HCG
livre, PAPP-A |
85 |
5 |
| 1°
Trimestre/BUN(2003) |
TN,ß-HCG
livre, PAPP-A |
79 |
9 |
| 1°
Trimestre/Nicolaides et al.(2005) |
TN,ß-HCG
livre, PAPP-A |
90 |
- |
| Teste
Triplo/SURUS (2003) |
AFP,
UE3, ß-HCG livre |
77 |
9 |
| Teste
Triplo/FASTER (2005) |
AFP,
UE3, HCG Total6 |
69 |
14 |
| Teste
Integrado, variação sem inibina A/wald, watt e
Hackshaw(1999) |
1°
Trimestre: TN, PAPP-A 2° Trimestre: AFP, UE3, HCG
Total7 |
92 |
3(TFP90) |
Os estudos prospectivos e a metanálise demonstraram que a triagem realizada através da combinação da medida da
translucência nucal (TN) fetal com a dosagem sérica de gonadotrofina coriônica livre (hCG) e da proteína
plasmática A associada à gravidez (PAPP-A) pode identificar 79%-90% dos fetos com Síndrome de Down
(Trissomia do 21), para uma taxa de falso-positivos de 5%. Essa taxa de detecção é muito superior à taxa de
detecção de 45% que seria obtida, considerando que o teste diagnóstico invasivo fosse oferecido a todas as
gestantes brasileiras =35 anos (9% das gestantes), e a distribuição da idade da mãe entre os nascidos vivos
com anomalias cromossômicas no Brasil em 2005.
A taxa de detecção do Teste de 1º Trimestre também é superior à taxa de 77% obtida com o Teste Triplo
(ensaio clínico SURUSS).
A taxa de detecção do Teste Integrado, embora próxima do melhor desempenho relatado para o Teste de 1º
Trimestre (Nicolaides et al., 2005), apresenta a vantagem de uma menor taxa de falso-positivos para uma
taxa de detecção similar ao do Teste de 1º Trimestre (TFP90 versus TFP85).

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