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DEFINIÇÃO
Os distúrbios da oxidação dos ácidos
graxos (DOAG) são deficiências genéticas
metabólicas nas quais o organismo é incapaz
de oxidar os ácidos graxos para produzir energia, devido
à ausência ou mau funcionamento de uma enzima
específica. A principal fonte de energia para o organismo
é a glicose. No entanto quando a glicose se esgota,
a gordura é oxidada para produzir energia. Entretanto,
esta energia não está prontamente disponível
para as crianças e adultos com "DOAG". Os
principais fenótipos clínicos dos "DOAG"
são: a hipoglicemia não cetótica (hipocetótica),
a cardiomiopatia e a miopatia. Embora estas alterações
possam estar presentes simultaneamente em alguns destes distúrbios,
um dos fenótipos em geral é o predominante.
SINTOMAS
É muito ampla a forma de apresentação
dos "DOAG". Na tabela abaixo podem ser encontrados
os fenótipos clínicos associados aos diversos
"DOAG".
| Fenótipos
Observados nos Distúrbios da Oxidação
dos Ácidos Graxos |
| Distúrbios
do Ciclo da Carnitina |
| Deficiência |
Fenótipo(s) |
| Transportador de Carnitina (CT) |
Cardiomiopatia dilatada
Hipoglicemia hipocetótica
Miopatia Esquelética |
| Carnitina palmitoil transferase I (CPT
1) |
Hipoglicemia hipocetótica |
| Translocase |
Cardiomiopatia hipertrófica
com hipoglicemia hipocetótica |
| Carnitina palmitoil transferase II (CPT
2) |
Cardiomiopatia neonatal com hipoglicemia
hipocetótica e morte na 1a semana de vida
Hipoglicemia hipocetótica durante ou após
o 1o ano de vida
Rabdomiólise do adulto |
| Distúrbios
da Membrana Mitocondrial Interna |
| Deficiência |
Fenótipo(s) |
| VLCAD |
Hipoglicemia hipocetótica
Cardiomiopatia hipertrófica com hipoglicemia
hipocetótica |
| LCHAD |
Hipoglicemia hipocetótica
com miopatia esquelética |
| Proteína Trifuncional |
Cardiomiopatia, miopatia e hipoglicemia
hipocetótica |
| Distúrbios
da Matriz Mitocondrial |
| Deficiência |
Fenótipo(s) |
| MCAD |
Hipoglicemia hipocetótica
|
| SCAD |
Atraso do desenvolvimento, hipotonia,
(convulsões, microcefalia) |
| Dienoil-CoA Redutase |
Hipotonia |
As crises de hipoglicemia hipocetótica são situações
de emergência que sobrevêm em resposta tanto ao
jejum prolongado (por exemplo, o desmame da mamada noturna)
quanto a infecções comuns intercorrentes (por
exemplo, viroses gastrointestinais ou infecções
de vias aéreas superiores), que tipicamente causam
perda de apetite e aumentam o consumo de energia, devido à
febre. Outros sintomas podem incluir vômitos, diarréia,
letargia, convulsões, coma e dificuldade respiratória.
Hepatomegalia e doença hepática aguda estão
quase sempre presentes durante uma crise de hipoglicemia hipocetótica,
que também é caracterizada por aumento do "anion
gap", hiperuricemia, elevação das transaminases
hepáticas, e discreta hiperamonemia. Este quadro clínico
pode levar à morte súbita e inexplicável
em um número considerável de pacientes, levando
erroneamente ao diagnóstico de Síndrome da Morte
Súbita do Lactente (SMSL) ou de Síndrome de
Reye. Uma deterioração clínica rápida,
desproporcional para uma simples e benigna infecção,
pode levar à suspeita de "DOAG" e requer
a imediata administração de glicose intravenosa
e coleta de amostras de sangue e urina para testes metabólicos.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
Os "DOAG" são doenças autossômicas
recessivas que afetam ambos os sexos. Os pais de uma criança
afetada são obrigatoriamente heterozigotos para o alelo
anormal existindo uma probabilidade de 25% de cada novo filho
do casal ser afetado por um "DOAG". Se uma criança
for diagnosticada como apresentando um "DOAG", seus
irmãos deverão ser testados mesmo se forem assintomáticos.
O diagnóstico laboratorial quase sempre inclui perfil
de acilcarnitinas quantitativo do plasma, análise de
ácidos orgânicos urinários, dosagens de
carnitina total e livre e ensaios enzimáticos em fibroblastos.
O perfil de acilcarnitinas quantitativo do plasma ou sangue
total em papel-filtro é a forma mais direta de diagnóstico
da maioria dos "DOAG". Análise de DNA para
pesquisa de mutações também é
útil, porém está disponível somente
para as mutações mais comuns das deficiências
de MCAD e LCHAD, por enquanto. Recomenda-se tanto no caso
de deficiência de MCAD quanto de LCHAD, fazer a análise
simultânea do perfil de acilcarnitinas quantitativo
e a análise do DNA para pesquisa da mutação
em amostra de sangue total em papel-filtro.
O tratamento para "DOAG" envolve diversas abordagens.
O mais importante é evitar o jejum por 10 - 12 horas.
Um período de jejum, especialmente quando associado
a uma enfermidade infecciosa pode desencadear uma "crise
metabólica" levando à hipoglicemia e letargia,
necessitando de hospitalização. Se a criança
for hospitalizada é imperativo, de acordo com especialistas
em "DOAG", que seja iniciado de imediato glicose
a 10% endovenosa, logo após a coleta de sangue para
análises bioquímicas.
Múltiplas refeições com alimentos pobres
em gordura e ricos em carboidratos (como cereais, massas e
bebidas açucaradas) são recomendadas ao longo
do dia. Crianças abaixo de um ano deverão ter
pelo menos uma alimentação à noite para
evitar que fiquem 12 horas em jejum. Para ajudar a reduzir
a freqüência de hipoglicemia pela manhã,
sugere-se misturar 01 a 03 colheres de sopa de amido de milho
(maisena) a uma bebida fria ou alimento frio servido à
noite. É importante que a maisena não seja cozida.
Suplementos de L-carnitina são essenciais na deficiência
do transportador de carnitina (CT), mas podem ser utilizados
nos outros casos de "DOAG", para corrigir a deficiência
secundária de carnitina freqüentemente observada
e aumentar a eliminação de metabólitos
tóxicos. Embora não tenham sido provados os
benefícios concretos destes suplementos na maioria
dos "DOAG", a dose recomendada de carnitina oral
é de 100 mg/kg/dia. Na deficiência de MCAD não
foi observado aumento da destoxificação de ácidos
graxos de cadeia média mediada pelos suplementos de
carnitina, avaliada pela excreção urinária
de acilcarnitinas de cadeia média. Por outro lado,
não foram relatados efeitos colaterais nocivos dos
suplementos de carnitina em pacientes com deficiência
de MCAD, em contraste com a deficiência de LCHAD, onde
a formação de variedades de 3 hidroxiacilcarnitinas
de cadeia longa é tida por alguns autores como prejudicial.
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