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A apolipoproteína E (apo E) é uma proteína
plasmática envolvida no transporte de colesterol e
outras moléculas hidrofóbicas. Ela é
codificada por um gene localizado no cromossomo 19. O gene
da apo E possui três alelos comuns, E2,
E3 e E4,
que codificam isoformasdistintas da apo E, E2,
E3 e E4. A heerrança dos genes da apo
E é mendeliana, resultando em seis genótipos
e fenótipos, três homozigotos e três heterozigotos.
Desde a década de 80, sabe-se que a maioria dos pacientes
com a forma familiar de hiperlipoproteinemia tipo III
(HLP III), há um aumento do colesterol e triglicerídeos
plasmáticos em conseqüência de um distúrbio
da depuração dos resíduos de quilomícron
e VLDL, devido a um defeito na apolipoproteina E. Esta dislipidemia
está associada à doença coronariana familiar
de início precoce.
A apo E4 é um fator de risco para a doença
de Alzheimer (DA) esporádica ou familiar de início
tardio (idade > 65 anos). Foi constatado que 34% a
65% dos pacientes com estas formas de DA possuem o alelo E4,
enquanto ele está presente em cerca de 24% a 31% da
população adulta não afetada. Esta associação
entre DA e a apo E4 foi demostrada
em estudos europeus, norte-americanos e japoneses.
Há evidências da existência de um efeito-dose
do alelo E4, isto é,
o risco de DA aumenta e a idade de inicio da doença
decresce com o número de alelos apo E4.
Também há evidências preliminares de que
o alelo E2 poderia ter um papel
protetor contra a DA, embora haja desacordo entre diversos
autores.
A metodologia de escolha para se determinar o polimorfismo
da apo E é a genotipagem. A técnica envolve
uma reação em cadeia da polimerase (PCR) e um
estudo do poliformismo do tamanho dos fragmentos de restrição
(RFLP). Uma PCR é realizada sobre o DNA genômico
isolado do sangue periférico do paciente. O fragmento
apo E amplificado é então
digerido com uma de restrição, que diferencia
entre os alelos alternativos.
A recomendação do "American College of
Medical Genetics / American Society of Human Genetics Working
Group on ApoE and Alzheimer Disease" é de que
a genotipagem da apo E não deve ser utilizada para
o diagnóstico de rotina da doença e nem como
teste preditivo.
Ela deve ser avaliada no contexto de uma abordagem global
de um paciente demenciado com suspeita de doença de
Alzheimer, no qual vários dados clínicos, laboratoriais
e de imagem contribuem para o diagnóstico final.
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